segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Um Dedo de Prosa Sobre o Jazz


Música na escola

PROJETO UM DEDO DE PROSA SOBRE O JAZZ LEVA A ARTE PARA ESCOLAS DA ÁREA RURAL DE JOINVILLE

Era uma sexta-feira de sol com clima agradável, e o som era jazz. Mais de 50 pares de olhos e ouvidos atentos àquilo que o moço com o instrumento estranho falava e ao que os três amigos dele tocavam. A cada nova música, reações distintas, desde carinhas de aprovação a narizes torcidos para a melodia. O som do jazz, pouco conhecido entre os espectadores, logo encheu o espaço e se fez presente em músicas antigas como Atirei o Pau no Gato.

Tudo isso aconteceu na Escola Evaldo Koehler, no distrito de Pirabeirada, em Joinville, para cerca de 50 crianças e alguns pais. Eles assistiram a mais uma apresentação do projeto musical Um Dedo de Prosa Sobre Jazz, dos músicos Gledison Zabote (saxofone) – o moço do instrumento estranho – Michel Falcão (baixo), Judson Teixeira (guitarra acústica) e Carlos Floriani (bateria), do quarteto Dedo de Prosa.

Com explicações sobre os instrumentos, conversas sobre música em geral e muito som, eles cumpriram mais uma etapa, das 33 previstas para ocorrer em escolas pública da área rural e distantes do Centro da cidade. A iniciativa foi aprovada no Sistema Municipal de Desenvolvimento pela Cultura, em 2009, e passa por escolas públicas para conversar com as crianças, mostrar os instrumentos musicais e fazer música.

Para Gledison, em cada escola o projeto se desenvolve de maneira diferente. “Depende do ritmo das crianças, mas sempre tentamos interagir com elas, explicar os instrumentos. Esse projeto é uma maneira de levar a música instrumental para regiões distantes. Em alguns lugares, as crianças nunca tinham visto um saxofone”, conta surpreso o artista.

O quarteto decidiu montar o programa pensando em encontrar espaço para a música instrumental que fazem e aproveitar para formar um público admirador desse gênero.

As apresentações são sempre às sextas-feiras à tarde e levam de 30 a 40 minutos, dependendo da animação da plateia. Em Pirabeirada, os músicos levaram 45 minutos.

Durante a conversa, Gledison perguntou às crianças quem sabia o que era improviso. Gustavo Otto, nove anos, do 4° ano, respondeu: “É o que é feito na hora”. O garoto adora música, costuma ouvir em casa e tenta se informar sobre o assunto. “Eu gosto e escuto em casa. Não sei se meus pais gostam, mas eu gosto, sim”, reforça.

Pouco depois, enquanto Judson explicava o que era guitarra semi-acústica, Gabriel Lucas Dunke, seis anos, aluno do 1° ano, fez questão de dizer que tinha um violão em casa e que precisava aprender a tocar. “Eu tenho o violão, sei mexer, mas tenho que aprender a tocar as músicas”, conta. Gabriel gosta mais da guitarra e quando crescer quer comprar uma. “Vou aprender a tocar e ter uma”, garantiu.

A diretora da escola, Eugênia Helena D’Ávila de Borba, estava feliz com a visita dos músicos e acredita que esse tipo de iniciativa pode ajudar a desenvolver o gosto dos pequenos pela música, além de oferecer uma oportunidade para que eles conheçam o gênero. “Isso contribui na formação das crianças e ajuda a formar adultos mais sensíveis”, acredita.

O projeto começou em maio e deve terminar em novembro. Quinze apresentações já foram feitas em escolas rurais e de áreas distantes de Joinville. Saiba mais sobre o trabalho do quarteto em quartetodedodeprosa.wordpress.com.

Fonte: Jornal A Notícia
Anexo - 23/08/2010

Créditos:
GABRIELA ZIMMERMANN - texto (gabriela.zimmermann@an.com.br)
JESSÉ GIOTTI - foto